PSICOPATOLOGIA

guia de estudos

Professor José Waldo Saraiva Câmara Filho

 

 

 

Conceito

 

            Capítulo da psicologia que estuda as variações mórbidas do psiquismo.

            É o estudo dos fenômenos psíquicos conscientes e patológicos que ocorrem no Homem de forma universal.

 

            As manifestações psicopatológicas consistindo na deformação do fenômeno psicológico normal.

 

           

 

 

 

Finalidades

 

-         Gnoseológica ( conhecimento )

Enriquecer o processo do conhecer a ciência psicológica ( ex. estudar as leis do desenvolvimento, os fatores causais e as condições que influam nas perturbações psíquicas )

 

-         Médica

Contribui para o conhecimento da gênese e evolução das disfunções psíquicas

Promoção da saúde

Profilaxia das doenças

Terapêutica adequada

Reabilitação

 

-         Investigativa

Valiosa na investigação do fenômeno psíquico normal, contribuindo para o desenvolvimento científico da psicologia ( exemplos de Kretschmer e Freud )

 

 

 

 

            enquanto ciência  - trata-se de um campo da psicologia

 

            enquanto fundamento de prática profissional está ligada tanto à clínica psiquiátrica quanto à clínica psicológica.

 

            enquanto parte do conhecimento do Homem e da natureza interessa a todos cujo interesse se volta ao humano.

 

 

 

 

METODOLOGIA E PSICOPATOLOGIA

 

 

derivada dos métodos da psicologia

fundamentada também por métodos utilizados nas ciências da saúde

 

 

1.     Fisiológicos

 

            Psicofisiologia

            Neuroendocrinologia

            Neuroanatomia funcional

            Eletroencefalografia

 

 

2.     Epidemiológicos

 

            Doentes

                        Idade, sexo, atividade profissional, características tipológicas,, condições de vida...

            Doenças

                       

            Taxas

 

3.     Psicológicos

 

            3.1 Observação

                        Objetiva

                                   Finalidade definida, cuidadosamente planejada, executada de forma sistemática e criteriosa, meticulosamente registrada

                                   A. Direta

                                   B. Indireta ( recursos auxiliares além do observador – filmagens, gravações, etc. )

 

                        Subjetiva

                                   Observação das manifestações psicológicas que ocorrem no próprio observador.

 

 

3.2  Experimentação

 

                        In anima nobili

                        In anima vili

 

 

            3.3 Estudos dos produtos da atividade espontânea ( produção intelectual, realizações artísticas, etc. )

 

 

3.4   Métodos psicométricos

 

                        Validade

Sensibilidade

                        Especificidade

                       

                        Questionários , testes ...

 

 

4. Farmacológicos

 

            Fármacos psicolépticos

            Fármacos psicoanalépticos

            Fármacos psicodislépticos

 

 

5. Sociológicos

 

 

6. Clínicos

            Fenomenologia aplicada à clínica

            Dados de história e antecedentes pessoais, familiares e sociais

            Exame mental

            Exame físico

            Exames complementares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abordagem Fenomenológica em Psicopatologia

           

 

            Método que consiste em “apresentar de maneira viva, analisar em suas relações de parentesco, delimitar, distinguir da forma mais precisa possível e designar com termos fixos os estados psíquicos que os pacientes realmente vivenciam” ( Jaspers, 1913  )

            Permite o aprofundamento da experiência clínica assim como o uso de outros conhecimentos e explicações das mais diversas naturezas

            Privilegia a compreensão empática do fenômeno psíquico sem deixar de lado as possíveis explicações intelectuais que possam haver

            Sua postura é compreensiva, interativa e não determinista

 

            Na psicopatologia, é utilizada para descrever o doente, sem preconcepções teóricas, filosóficas ou ideológicas de qualquer espécie. Trata-se de procedimento empírico realizado com a participação da comunicação do paciente; descreve suas vivências, aquilo que ocorre em sua consciência

 

 

            JASPERS:

                        Compreensão – método subjetivo – esforço de penetração e intuição do fenômeno mórbido com seu significado, tal como considera o enfermo.

                        Explicação – procedimento objetivo – completa a compreensão através de sua interpretação e do estabelecimento de laços de causalidade entre os dados observados.

                        Verdadeira investigação fenomenológica: a penetração empática – através da comparação entre as vivências observadas do indivíduo e as próprias vivências do examinador.

                        Três espécies de fenômenos:

·        Os que conhecemos por nossa própria experiência

·        As acentuações, reduções ou modificações de experiências pessoais.

·        Aqueles que não podem ser representados de maneira compreensiva.

 

 

            Ë através da Psicopatologia, com seus conceitos, seus princípios gerais, suas classificações, que a abordagem do doente mental obedecerá um critério e uma norma científica. Tendo-se em vista a peculiaridade de cada pessoa, sua personalidade única, a Psicopatologia deverá servir de guia e de orientação na satisfação de cada profissional de saúde.

Jamais a pessoa humana deverá ser reduzida a conceitos psicopatológicos únicos.

O ensino da Psicopatologia deverá ser mais a transmissão de conceitos e de conhecimentos conceituais, deverá servir de MEIO através do qual se possa elaborar um diagnóstico calcado na sistematização e no conhecimento científico. (Ballone)

 

 

 

 

REDUCIONISMOS

 

 

         Evolução das idéias – abordagem metodológica dos fenômenos mentais

 

 

 

 

            A magia e o sobrenatural

 

            Era Grega – explicações científicos naturais

                        Platão – Duas almas: racional ( imortal e divina, localizada no cérebro ) e a irracional ( localizada no tórax junto ao centro da raiva no coração e da fome e paixões carnais no abdômen )

                        Aristóteles – cérebro condensava vapores que emanavam do coração.

                        Hipócrates – mania, histeria, paranóia e melancolia.

                                               Humores ( terra, ar, fogo e água )

                                               Histeria: movimento do útero em direção ao cérebro que podia ser curada pelo casamento precoce.

 

 

            Século II – Galeno: Cérebro como centro das funções psíquicas

 

            Temperamento          Elemento        Humor

            Melancólico                 Terra               Bile negra

            Sangüíneo                    Ar                    Sangue

            Colérico                      Fogo                Bile Amarela

            Fleumático                   Água                Fleuma

                       

                                  

            Idade das “Trevas”

 

            Renascimento

 

            Séculos XVIII em diante: organicismos e fisiologicismos

           

            Século XIX em diante : psicologicismos

 

            Século XX em diante: sociologicismos