Urgências Psiquiátricas
Tópicos de aula
Professor José Waldo Saraiva Câmara Filho
Quadros extraídos e adaptados de Jacintho & Stella – Agitação Psicomotora capítulo de Botega, NJ – Prática Psiquiátrica no Hospital Geral: Interconsulta e Emergência. Artmed. 2002
1. Agitação Psicomotora
Estado de excitação mental e hiperatividade
Principais causas:
Síndromes psicoorgânicas
Delirium
Demências
Síndromes maniatiformes
Síndromes catatônicas
Quadros histéricos
Oligofrenia
Transtornos de personalidade
Borderline
Anti-social
Transtornos mentais decorrentes do uso de drogas
Epilepsia
Reação a estresse pessoal
Distúrbios metabólicos e infecciosos
Intoxicações (solventes, inseticidas, medicações)
Violência e agitação
Fatores de risco
Comportamento violento prévio
Quadros psicóticos anteriores
História anterior de automutilação
História de delinqüência
Pertencer a grupos minoritários
Idade jovem e sexo masculino
Preditores de comportamento violento
Aumento de exigências
Aumento do tom de voz
Comentários pejorativos
Irritabilidade
Postura de desconfiança – atitude paranóica
Contratransferência: medo
Comportamento de permanecer em pé ou andar pela sala
Desacato às orientações dadas pelo médico
Cuidados a serem tomados
Avaliar o paciente na presença de membro da equipe de segurança do hospital
Avaliar previamente a prudência de estar só com o paciente
Manter a porta aberta durante a entrevista
Evitar contato físico que possa ser interpretado pelo paciente como ameaçador
Contenção física quando necessário
Prescrição de medicação adequada
Avaliação:
Anamnese subjetiva (quando possível) e objetiva com os familiares ou acompanhantes, exames físico, psíquico e complementar
Atenção a diagnósticos e comportamentos prévios ( bipolar, personalidade, uso de drogas, episódios prévios, indícios de processos orgânicos, etc)
Restrição física
Medida protetora e sempre num contexto de tratamento
Procedimentos para a contenção física do paciente:
→ Pode-se determiná-la antes mesmo do exame físico do paciente
→ Revista de armas e instrumentos de risco
→ Equipe especializada, número ideal de cinco que atuem coordenadamente
→ Atenção à perfusão sanguínea, evitar lesões
→ Exame físico, perfusão e sinais vitais monitorados
→ Remoção gradativa das contenções: tórax, MMII, MMSS de acordo com a evolução do doente
→ Descrição detalhada do procedimento e justificativas ao paciente e no prontuário
→ Decúbito lateral esquerdo em pacientes intoxicados
Tratamento farmacológico
Avaliar causa subjacente à agitação
Benzodiazepínicos – evitar na suspeita de quadros cérebro-orgânicos e de insuficiência respiratória
Antipsicóticos de alta potência
Associação de psicofármacos
A depender do grau de agitação, de rebaixamento ou não do nível de consciência, da presença ou não de sintomas psicóticos
Condições Especiais associadas à agitação psicomotora
· Abstinência a drogas psicotrópicas e de uso terapêutico (benzodiazepínicos, antidepressivos e antiepilépticos)
· Acatisia
· Idosos (depressão, ansiedade, demência com e sem sintomas psicóticos
· Transtornos conversivos
Diferenças entre
crises conversivas e convulsivas
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Pseudo-epilépticas psicogênicas |
epilépticas |
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Início geralmente gradual |
Início geralmente abrupto |
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Preservação da consciência |
Perda da consciência (crises generalizadas) |
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Movimentos de caráter intencional, bizarros do tipo “debater-se” |
Movimentos involuntários, simétricos seguindo inervação segmentar |
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Balanço bilateral da cabeça |
Movimentos verticais da cabeça |
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Fator psicológico desencadeante |
Independe de fatores psicológicos |
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Não ocorrem durante o sono |
Podem ocorrer durante o sono |
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Duração prolongada > 20 minutos |
Duração curta: 2-4 minutos |
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Quedas em posições ou locais confortáveis |
Quedas independentes de posições e locais |
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Resistência voluntária à tentativa de contenção física |
Não impõem resistência à contenção |
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Resistência à tentativa externa de abertura dos olhos |
Não impõem resistência |
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Choros, frases, gritos na crise |
Não há comunicação verbal na crise |
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incontinência urinária praticamente ausente |
Incontinência urinária freqüente |
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Término gradual da crise |
Término abrupto da crise |
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Costuma ocorrer na presença de outras pessoas |
Ocorre independentemente da presença de pessoas |
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Estado pós-ictal não confusional |
Confusão pós-ictal |
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EEG ictal normal |
EEG ictal anormal (pontas-onda) |
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Mais freqüente no sexo feminino |
Freqüência semelhante entre os sexos |
2.
Suicídio
3. Crises
a) Transtornos de ansiedade
b) Depressão
c) Mania
d) Psicoses agudas e reagudização de psicoses crônicas
e)
Reação ao estresse
4. Intoxicação aguda e abstinência de drogas
Delirium tremens
Início e duração – em média a partir de 72 horas após interrupção ou redução, durando de 2 a 6 dias em média
Quadro clínico
Sintomatologia autonômica
Insônia, tremores, sobressaltos, sudorese fria, aumento da temperatura
Rebaixamento do nível de consciência...delirium (desorientação, prejuízo na memória, incoerência do pensamento, delírios e alucinações, ansiedade, disforia, agitação)
Episódios convulsivos tônico-clônico generalizados
Tratamento
Indicação formal de hospitalização
Contenção física habitualmente necessária
Avaliação diagnóstica de patologias concomitantes
Ambiente sem estímulos – silencioso, mas iluminado
Hidratação parenteral e aporte vitamínico
Benzodiazepínicos
Anticonvulsivantes (carbamazepina)
Antipsicóticos (haloperidol)